Quando terminou mais uma corrida chegou a casa, olhou para os ténis e verificou que tinham as solas gastas, como era reformado, a sua pensão mal dava para comer, quanto mais para comprar uns ténis novos.
Passou-lhe pela cabeça uma leve esperança de que alguém se lembrasse deste seu hábito saudável de correr e lhe oferecessem uns ténis, pelo Natal.
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Chegou a véspera do Natal e a família numerosa juntou-se em casa dele como era hábito todos anos, viúvo desde o ano passado, vivia sozinho, com o seu cão.
As noras e a filha e os dois filhos, trouxeram os doces, o bacalhau, as couves e as batatas, as prendas que colocaram debaixo da árvore de Natal junto do presépio e pouco mais trouxeram porque a vida estava má.
Na família que iria participar nesta ceia de Natal havia ainda dois netos um de 5 anos e outro de 8 anos.
Comeram, beberam e conversaram animadamente quase todos os presentes na mesa excepto ele o dono da casa tinha motivos para estar assim triste, porque vivia sozinho e tinha saudades da esposa e também porque tinha de deixar de fazer o que gostava que era correr , os ténis já estavam rotos por cima e gastos nas solas.
Terminado repasto sentaram-se a ver televisão à espera da meia-noite e da vinda do Pai Natal, todos os anos havia um familiar que se vestia com a indumentária de Pai natal e entregava as prendas, desta vez coube a vez à filha.
Ele sentou-se no seu sofá a um canto ligeiramente cabisbaixo e foi observando a entrega das prendas a cada um, quando ouviu do filho para o Pai Leandro levantou a cabeça e olhou para o tamanho da prenda, na esperança de serem uns ténis, mas logo se desiludiu, uns ténis nunca caberiam num pacote daquele tamanho, era um cachecol.
Continuaram a entrega, até que novamente ouviu que era para si e sentiu um redobrar da esperança que fosse o que tanto ambicionava, mas não era desta vez ofereceram-lhe uns chinelos.
Chegou ao fim a entrega das prendas e ele no seu interior sentia-se infeliz não se tinham lembrado que ele adorava correr.
Conversaram mais um pouco e uns familiares foram para casa. Ficaram lá a dormir a filha o genro e o neto, devido a morarem longe.
Ele foi-se deitar, mas antes de adormecer ainda pensou que amanhã se quisesse correr teria de ser com aqueles velhos e gastos ténis, que lhe deixavam os pés em ferida.
Ao amanhecer ainda eram cerca das 7 da manhã ouviu os gritos de um neto e entrou pelo seu quarto de rompante, a dizer "avô avô ainda está lá uma prenda que não entregaram" e ele vestiu o roupão e foi a correr atrás do neto como se fosse um menino, empolgado e cheio de esperança.
Chegou perto da árvore e o neto apontava para um embrulho que tinha ficado atrás da árvore de Natal e leram a etiqueta, para o avô Leandro dos filhos Raúl e Fernando e da filha Isabel.
Desembrulhou rapidamente e lá estavam eles, uns ténis novinhos "em folha", vieram-lhe as lágrimas aos olhos, como se lhe tivessem oferecido a melhor prenda do mundo.
Esta é uma história escrita ao sabor da "pena" sem qualquer correção tanto ortográfica, como na construção do texto. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------
A DICA
Boas festas
Até amanhã